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Especialista em finanças explica porque os brasileiros não têm como hábito poupar dinheiro

Quando o assunto é poupar dinheiro, os brasileiros não se saem muito bem, inclusive aqueles que tem uma maior renda. Isso é o que revela o Indicador Mensal de Reserva Financeira do Serviço de Proteção de Crédito (SPS Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). “No Brasil, a população tem por hábito pagar contas e dívidas, fazer as compras no supermercado e outras necessárias. Caso sobre dinheiro, pode ser que a pessoa poupe uma quantia. No entanto, guardar dinheiro não é algo que está enraizado na cultura do país”, explica Thiago Silva, fundador da Maway Global Investments.

O hábito de não guardar dinheiro pode estar ligado à questões históricas e econômicas do Brasil, que sofreu uma colonização de exploração, cujas riquezas eram exploradas e enviadas ao país colonizador. Neste período, havia uma dependência muito grande do estado. Já num passado recente, a população brasileira sofreu com inúmeras crises financeiras, trocas de moeda e hiperinflação. Houve um tempo em que o preço das mercadorias eram reajustados diariamente, e isso fazia com que as pessoas tivessem de fazer escolhas imediatas e gastar dinheiro praticamente todos os dias, afinal, ninguém sabia como seria no dia seguinte. Todas essas situações criavam um cenário de falta de previsibilidade, tornando as pessoas mais cautelosas em relação a comprometer sua renda.

No começo dos anos 1990, a implantação do Plano Real trouxe uma melhora significativa a este cenário. “Ter uma moeda forte proporcionou muito mais previsibilidade à população, especialmente aos poupadores. Entretanto, ainda há muitas crenças enraizadas nos brasileiros, como a de que o Estado vai, de alguma forma, prover e resolver todas as necessidades da população. A falta de educação financeira é outro fator que também contribui para o hábito de não poupar”, diz Silva.

No entanto, este cenário está passando por mudanças. No último ano, pesquisas e indicadores revelaram que cada vez mais os brasileiros estão buscando investir com propósitos de longo prazo. Parte disso se deve à preocupação com o futuro, especialmente após às reformas trabalhista e da Previdência. Muitas pessoas estão buscando nos planos de previdência privada a segurança que já não sentem no sistema previdenciário brasileiro. “Creio que esta é uma tendência que só tende a crescer. Afinal, em 2009, os fundos de Previdência Privada aberta receberam contribuições de 39 bilhões de reais. Já em 2017, foi de 115 bilhões de reais”, finaliza o especialista em finanças.

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