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Artista marcial de Cuiabá dá exemplo de busca pela igualdade feminina

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A história chinesa está repleta de mulheres que não se conformaram com sua condição e lutaram pelos mesmos direitos dos homens, como por exemplo Mok Kwai-Lan (1892-1982). Além de praticante de Kung Fu, a artista marcial comandou um grupo militar e fazia a “Dança do Leão”, que em determinada época era proibida para elas. É exemplo de uma busca por igualdade que permanece bastante atual e encontra espelho em pioneiras como Giovanna Lopes, 37 anos, a única mulher no ocidente discípula direta do grão-mestre Yee Chi Wai (Frank Yee).

Professora de Kung Fu e Tai Chi na escola Bai Hu, em Cuiabá, Giovanna faz parte da árvore genealógica do estilo Hung Ga, como quarta geração (ou grau) do herói chinês Wong Fei Hung (1874-1927), com quem Mok Kwai-Lan foi casada. É algo que ela conquistou com muito orgulho, pois não basta o discípulo se candidatar. O mestre é que faz a escolha. “Ele viu todo o trabalho que eu tenho desenvolvido aqui. Frank Yee sempre fala que, além da técnica, há pré-requisitos como caráter, índole, o trabalho de divulgação do Hung Ga”, explica.

Ser admitida como discípula e, mais ainda, dar aulas de Kung Fu, chegou a ser algo impensável na China antiga. Ainda hoje há quem pense que este não é um campo próprio para as mulheres, não só lá, mas em todo o mundo. Giovanna sentiu isso muito forte quando, há mais de dez anos, resolveu que iria se dedicar à arte milenar chinesa. “As pessoas ainda têm em mente que se tratam de atividades masculinas. As mulheres têm plena consciência do que podem e querem fazer, mas há uma cobrança muito grande. Cansei de ouvir que poderia até fazer, mas não priorizar isso, largar tudo para me tornar uma professora de arte marcial, por exemplo. ‘Faça como hobby, mas tenha sua profissão’”, reproduz.

Giovanna conta que, em seu caso, seguiu os “protocolos” até os 27 anos, passando a se dedicar às artes marciais um pouco mais tarde que o habitual. “Era uma mulher independente, já havia saído da casa dos pais, me formado em Nutrição. Então chegou o determinado momento em que passei a priorizar o Kung Fu e hoje sou professora de arte marcial, é a minha profissão”, comemora. “Me orgulha muito, demais mesmo, porque eu consigo ser exemplo para outras pessoas e falar assim: ‘dá, num mundo, prioritariamente masculino para a gente se destacar também”, complementa.

Giovanna informa, com satisfação, que o número de mulheres praticantes de Kung Fu e Tai Chi vem crescendo consideravelmente. No ano passado tínhamos cerca de 15% de alunas, este ano subimos para 45%. E considero que subiu bastante porque temos feito esse trabalho de desmistificação da arte marcial e porque está havendo uma mudança de postura delas também”, analisa a professora. É uma questão de conquistar o espaço e ninguém irá fazer isso melhor do que as próprias mulheres, frisa.

*Dança do Leão*

Giovanna também se dedica a outra atividade que antes era proibida para as mulheres, a “Dança do Leão”. Ela lembra que Mok Kwai-Lan ousou nesse sentido também. “Junto com Wong Fei Hung ela treinou a ‘Dança do Leão’ e foi a primeira mulher a se apresentar em Cantão (Guangzhou). Também teve um cargo no exército, comandava um grupo de mulheres. Depois dela vieram outras que romperam barreiras”, salienta, informando que hoje existem grupos femininos.

A artista marcial conta que teve aulas de “Dança do Leão” com o próprio Frank Yee, que esteve em Cuiabá em 2017. Se desenvolvida como manda a tradição, é uma atividade complexa e que demanda vigor físico, além de muita atenção aos passos e movimentos corretos, destaca Giovanna. “A cabeça precisa ser ágil e temos que mexer olhos e boca do leão. A cauda precisa suportar o peso da pessoa que está na frente. Eu chego a carregar uma pessoa com o mesmo peso que tenho. E ainda dançar”, frisa.

Segundo Giovanna, a “Dança do Leão” é praticada especialmente no Ano Novo Chinês. “Os chineses acreditam que ela afasta os maus espíritos e traz boa sorte. Então, qualquer evento importante tem que ter a Dança do Leão. No nosso caso aqui na Bai Hu, fazemos para levar às pessoas um pouco da cultura chinesa”.

Os interessados em conhecer mais da técnica milenar podem ir até a Bai hu, localizada no segundo piso do Goiabeiras Shopping. O telefone para contato é o (65) 3025-4450.
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