Levantamento detalha liberação de emendas para eventos de lazer e esportes de elite enquanto verbas para proteção de mulheres e piscicultura enfrentam lentidão.
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Deputado federal ‘carimba’ repasses para Beach Tennis e Cicloturismo através de associações privadas
Dados extraídos da Controladoria-Geral da União (CGU) mostram que o deputado federal Emanuel Pinheiro Neto (MDB), o Emanuelzinho, recebeu um volume expressivo de recursos pagos pelo Governo Federal entre 2024 e 2025.
Contudo, o que chama a atenção é a aplicação do dinheiro público. Conforme os dados, a prioridade foi dada a eventos de lazer e esportes amadores. Somente para a realização de uma etapa internacional de Beach Tennis, foram liberados R$ 784 mil via Associação Sorrisense de Futebol Americano.
O apetite por eventos de entretenimento não para por aí. Outros R$ 685 mil foram carimbados para apoiar o “Capivaras Cicloturismo” em Várzea Grande, organizado pelo Instituto Mais, e o evento “Craques do Futebol”, em Cuiabá, por meio da Associação Desportiva Uirapuru.
Enquanto o asfalto e as quadras de areia recebem fomento, áreas sociais sensíveis como a promoção da autonomia econômica das mulheres e o desenvolvimento da aquicultura, ambos com emendas de R$ 500 mil e R$ 800 mil, respectivamente, chegaram ao fim do ano sem nenhum centavo efetivamente pago.
A “FESTA” DAS EMENDAS PIX e o vácuo da Saúde – O levantamento aponta que o deputado é um usuário assíduo das chamadas “transferências especiais”, conhecidas como Emendas Pix, que somaram mais de R$ 10,5 milhões pagos em 2025.
Municípios como Santo Antônio do Leverger, Barão de Melgaço e Cocalinho receberam repasses que variam de R$ 990 mil a quase R$ 2 milhões.
Esta modalidade é criticada por órgãos de controle pela baixa rastreabilidade, já que o dinheiro cai diretamente na conta das prefeituras sem a necessidade de convênios detalhados.
Na Saúde, embora o montante seja robusto, a distribuição levanta curiosidades geográficas. O Fundo Municipal de Saúde de Apiacás recebeu R$ 640 mil de uma só vez para incremento da Atenção Primária, enquanto Campinápolis abocanhou R$ 1 milhão dividido entre custeio básico e assistência hospitalar.
Já a cidade de Chapada dos Guimarães garantiu quase R$ 1,5 milhão para unidades de saúde especializada e incremento hospitalar em diferentes empenhos.
EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA Social na lanterna – O contraste entre as prioridades fica evidente quando se observa a modernização das instituições federais de ensino. De uma emenda de quase R$ 3 milhões para a educação superior, apenas pouco mais de R$ 150 mil foram pagos, parte desse valor destinado à Fundação de Apoio e Desenvolvimento da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).
O restante da verba foi fragmentado em pequenas compras de equipamentos, como instrumentos de medição e ferramentas, que variam de meros R$ 862 a R$ 12 mil.
Na Assistência Social, o cenário é semelhante. O Fundo Municipal de Assistência Social de um dos municípios beneficiados aguardou até outubro para receber R$ 900 mil para a estruturação da rede do Sistema Único de Assistência Social (SUAS). (Ana Jácomo/Do Repórter MT)




